Má Despesa Pública – Um negócio do diabo numa junta de Braga

O contrato de arrendamento entre a Câmara Municipal de Braga e a Arquidiocese em análise no Má Despesa Pública.

 

Deputado Pedro Soares, do Bloco, questiona Governo sobre Cinema S. Geraldo

O deputado afirma que “o caráter histórico e cultural único, na centralidade da sua localização, inserido num potencial e desejável quarteirão urbano das artes, articulando o Cinema S. Geraldo com o Theatro Circo”, conforme referido no Programa Estratégico de Reabilitação Urbana do Centro Histórico, que “prevê a reconversão do S. Geraldo para auditório e reconhece a sua importância patrimonial para definir uma oferta qualificada no Centro Histórico de Braga”.

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Maioria chumba suspensão do processo por 3 meses para promover o debate

“Foi esta manhã chumbada a proposta conjunta apresentada pelos vereadores da CDU e PS na Câmara Municipal de Braga para o S. Geraldo. Entre os cinco pontos constavam a suspensão do processo da Diocese por um prazo de três meses para promover o debate entre os diferentes partidos e os cidadãos bracarenses. Um outro destaque ia para a salvaguarda patrimonial do antigo cinema S. Geraldo. Todos os pontos foram chumbados pelo executivo liderado por Ricardo Rio.”

RUM Chumbada proposta da CDU e PS para S. Geraldo

CORREIO DO MINHO S. Geraldo une oposição contra maioria

 

 

8 de MARÇO

Arquitectos apelam à suspensão do processo de edifício S. Geraldo

“Como arquitectos, pode ler-se ainda na carta aberta, identificam “a profunda descaracterização que o edifício sofreu ao longo dos anos”, reconhecendo, no entanto, “a importância vital deste espaço como um espaço aberto à comunidade, dedicado integralmente à educação e promoção cultural””

8 de MARÇO

Salvar o cinema S. Geraldo – Carlos Almeida

“Neste momento é inadiável a movimentação de todos em defesa do Cinema S. Geraldo como equipamento cultural, para que, desde já, se consiga sensibilizar a Diocese de Braga para a suspensão do projecto e o município para o seu papel interventivo na definição do modelo de cidade que queremos.
Depois, virão as propostas, no respeito pelos interesses de todas as partes envolvidas, mas, acima de tudo, no garante máximo de um projecto cultural que tanta falta faz a Braga.”

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7 de MARÇO

Bracarenses tentam travar hotel e lojas para antigo cinema S. Geraldo

“Diferentes grupos de bracarenses querem que o antigo cinema S. Geraldo, fechado há cerca de 20 anos, mantenha uma função cultural. Rejeitam o projecto recentemente apresentado que prevê a sua transformação num hotel e numa área comercial. ”
http://www.publico.pt/local/noticia/bracarenses-tentam-travar-hotel-e-lojas-para-antigo-cinema-s-geraldo-1725399

8 de FEVEREIRO

O recém-anunciado projeto para o velho cinema S. Geraldo é uma boa notícia? Não propriamente.
O recém-anunciado projeto para o velho cinema S. Geraldo é uma boa notícia? Não propriamente. O que foi anunciado faz sumir de vez qualquer ideia de recuperar a enorme sala para fins culturais. Independentemente da qualidade arquitetónica do projeto apresentado, apenas se manterá vagamente uma memória do espaço antigo. Na prática, será uma praça de alimentação com um hotel. Chamar-lhe mercado cultural é, por isso, uma ilusão. Seria o mesmo que transformar o relvado e a pista do estádio 1º de Maio num parque de estacionamento e anunciar que a cidade ganhava um equipamento desportivo.

Não confundamos, claro, o interesse da cidade com o do proprietário. O dono – que no caso é a arquidiocese – não conseguiu manter o cinema a funcionar comercialmente e tem todo o direito de para lá imaginar os projetos que quiser e anunciá-los publicamente. Diferente é saber se a cidade acha esses projetos relevantes e se não tem outros que se lhes sobreponham.

Desde 1896 que se veem imagens em movimento em Braga. O Cinema São Geraldo foi, porém, a primeira sala bracarense especificamente destinada a esse fim. A estreia em 1950, com o filme “Cruzeiro de Férias” (Luxury Liner), terá impressionado pelo luxo, pela nitidez da imagem e pela qualidade do som. Dispunha de tribuna e plateia com cerca 850 lugares, funcionou até aos anos 90 e miraculosamente ainda lá está hoje, decadente mas pouco alterado.

E também convém não exagerar: o São Geraldo não é um edifício monumental e é produto da cidade enfadonha que Braga era há 70 anos. A sua relevância hoje reside no potencial enquanto equipamento já construído, num ambiente dos anos 50 que se perpetuou e na localização estratégica junto ao Theatro Circo. E nunca é demais relembrar o gravíssimo erro de restauro do Theatro Circo: construiu-se uma dispendiosa segunda sala subterrânea que, todavia, por razões estruturais jamais poderá funcionar em simultâneo com a sala principal (num país decente, quem assim desperdiçou dinheiros públicos, teria de se explicar muito, muito bem).

Numa altura em que há verba e instrumentos disponíveis para a regeneração urbana, o São Geraldo podia ser, pelo menos, essa segunda sala simultânea do Theatro com pouco investimento. Isto se não se equacionassem projetos mais ambiciosos como um centro cultural público (como há um mês defendia o Fernando Coelho no Entre Aspas), municipal ou da freguesia, ou até privado (seguindo o exemplo do São Mamede em Guimarães lembrado em tempos pelo Rui Ferreira). Ou uma intervenção mais arrojada devolvendo-nos o equilibrado largo setecentista através da reposição da imponente fachada do Convento dos Remédios.

Mais uma vez, a Câmara mostra-se uma entidade amorfa, não sendo capaz de imaginar nem de discutir os inúmeros cenários com a cidade e desperdiçando o potencial daquele espaço. Para que serviu afinal o concurso de ideias? E para que vai servir o Conselho Estratégico para a Regeneração? Para entreter?

O Cinema São Geraldo podia ser muitas coisas – e esta é das piores para Braga. Um Executivo preocupado, se nada conseguisse fazer para impedir o desaparecimento de um espaço cultural, ao menos mostrava-se descontente. Por isso, é lamentável ver a Câmara a dar a bênção a mais uma destruição definitiva na cidade. Ou como dizia há dias Ricardo Araújo Pereira, imitando uma análise liminar de Tino de Rans: “eu tinha bregonha!”

‪#‎sgeraldocultural‬

FOTO: imagem da sala principal do São Geraldo em 2005 (editada para sobrepor o fotograma na tela)
TRAILER: regressar ao São Geraldo de 1950 a bordo do Luxury Linerwww.youtube.com/watch?v=jzKVwA9VjdI

Luís Tarroso

“Travessuras de Júlia” em Junho de 1950

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Este era o filme que o Cinema São Geraldo tinha em exibição no dia 25 de junho de 1950. Apesar da sugestão algo picante do termo “travessuras”, o filme nada tinha de atrevido até porque, como avisava o texto lateral, neste cinema não se exibiam filmes condenáveis. Esta comédia de 1948, realizada por Jack Conway, com Greer Garson e Walter Pidgeon como protagonistas, tem a curiosidade de trazer o primeiro beijo em tela de Elizabeth Taylor.

Elenco: Greer Garson – Walter Pidgeon – Peter Lawford – Elizabeth Taylor – Cesar Romero – Lucile Watson – Nigel Bruce – Mary Boland – Reginald Owen – Henry Stephenson – Aubrey Mather – Ian Wolfe – Fritz Feld – Phyllis Morris – Veda Ann Borg

4 de Março

Arcebispo de Braga afirma que a autarquia bracarense nunca realizou esforços no sentido de estabelecer um diálogo sobre o futuro do S. Geraldo

“Após uma reunião entre o CeM – Cidadania em Movimento e a Arquidiciose de Braga, a deputada municipal eleita pelo CeM mostrou-se muito surpreendida com estas declarações, pois segundo a própria “contrariam aquilo que o presidente da câmara tem vindo a dizer nos últimos tempos”.

“O Arcebispo de Braga disse-nos que não houve sequer uma tentativa de diálogo para discutir uma possivel solução para o S. Geraldo. Não foi sugerida nenhuma solução, nenhuma proposta por parte do executivo de Ricardo Rio”, afirmou Paula Nogueira.” RUM
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14 de FEVEREIRO

Cidadania em Movimento defende em Assembleia Municipal a aquisição do S Geraldo pelo Município

“A intervenção que está prevista para o Cinema S. Geraldo – para o qual está previsto um hotel e uma zona de restauração gourmet – foi outro dos assuntos levados à Assembleia Municipal de Braga pela Cidadania em Movimento, considerando-a como “uma morte de um equipamento cultural que faz parte da memória colectiva” e defendendo a sua aquisição pelo município.

Mas para o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, essa aquisição seria impossível, justificando que só o terreno está avaliado em cinco milhões de euros, apontando ainda que o antigo edifício, do qual só já existem ruínas, nada tem de património importante que urja preservar.

“O valor do espaço que foi apresentado é um facto e eu não faço especulações com números, até porque nestas matérias temos que nos cingir a questões técnicas e as avaliações que fizemos, inclusivamente para o edifício ao lado – ora avaliado em 1,5 milhões de euros – coincidiam de forma bastante próxima com os valores que apresentados pelos promotores”, referiu o autarca bracarense, acrescentando que “as avaliações não são feitas com base em suposições, mas sim com base em critérios objectivos. E foi com base nesses critérios que nos foi apresentada esta proposta”. ”
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3 de FEVEREIRO

Primeiro cinema de Braga, fechado há 20 anos, dá lugar a uma área comercial
“O eixo central do projecto de reabilitação do edifício do São Geraldo consiste na criação de um mercado urbano no interior do antigo cinema, cuja área central será destinada à restauração. Nessa praça coberta haverá lugar para mais de 20 restaurantes, ao jeito de outros mercados gastronómicos que existem nas grandes cidades, com uma oferta de cozinha internacional e gastronomia tradicional portuguesa. Nesta área, que será explorada por um investidor particular, haverá ainda lugar para algumas lojas de artesanato ou de moda.” Público
https://www.publico.pt/local/noticia/vinte-anos-depois-o-antigo-cinema-de-braga-vai-reabrir-com-lojas-e-poucos-lugares-1722759

6 de JANEIRO

Concurso de Ideias Para a Regeneração Urbana da Avenida da Liberdade

No Concurso de Ideias sobre a Av. da Liberdade (e envolvente) pedia-se expressamente aos arquitetos concorrentes que se pronunciassem sobre o Cinema S. Geraldo. Estavam em causa 3 prémios (12.500€, 5.000€ e 2.500€). Como se vê na imagem-resumo, os concorrentes responderam ao que lhes foi pedido pela Câmara. Em todas as propostas – incluindo as dos 3 premiados! – os arquitetos previram que o S. Geraldo manteria sempre um programa estritamente cultural.
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