Maioria chumba suspensão do processo por 3 meses para promover o debate

“Foi esta manhã chumbada a proposta conjunta apresentada pelos vereadores da CDU e PS na Câmara Municipal de Braga para o S. Geraldo. Entre os cinco pontos constavam a suspensão do processo da Diocese por um prazo de três meses para promover o debate entre os diferentes partidos e os cidadãos bracarenses. Um outro destaque ia para a salvaguarda patrimonial do antigo cinema S. Geraldo. Todos os pontos foram chumbados pelo executivo liderado por Ricardo Rio.”

RUM Chumbada proposta da CDU e PS para S. Geraldo

CORREIO DO MINHO S. Geraldo une oposição contra maioria

 

 

Salvar o S. Geraldo

Conhecemos há alguns dias o projecto para o antigo cinema S. Geraldo apresentado pela Diocese de Braga, sua proprietária. O projecto, independentemente das suas virtudes, nomeadamente a de recuperar um grande edifício de centro histórico, contempla um elemento de absoluta importância, que os cidadãos de Braga e da região não podem ignorar. A concretizar-se, Braga perderá a sua primeira e mais emblemática sala de cinema que, apesar de se encontrar fechada há cerca de vinte anos, mantém, praticamente, todos os seus aspectos funcionais.

Sendo certo que ao proprietário está conferida toda a legitimidade para decidir o futuro do edifício, não deixa também de ser verdade que este não deve ignorar o sentimento de toda uma comunidade que quer ver valorizado e recuperado um local que tanto espaço ocupa na memória colectiva.

No mesmo sentido, ao município não restará apenas o papel de espectador. Muito menos poderá refugiar-se no papel de mero fiscal ou emissor de licenças. Não duvido que não existam soluções fáceis, nem certezas absolutas, mas estou convencido de que é possível fazer muito mais. O Presidente da Câmara não pode, por isso, fazer ouvidos de mercador, não pode ignorar as vozes que se levantam e se preocupam com o futuro do cinema S. Geraldo. Se assim fizer, também ele ficará na história como responsável pela decisão que levará à perda da histórica sala de cinema.

Mais, aceitar a demolição do cinema São Geraldo não se trata apenas de um acto de irreparável perda para o património social e cultural. Trata-se, mais ainda, de uma oportunidade perdida para devolver à cidade uma sala de espectáculos que poderia afirmar-se como um espaço alternativo e multifuncional, facilmente adaptável aos mais variados tipos de iniciativas, complementando assim a oferta do Theatro Circo.

Ora, Ricardo Rio, que até inscreveu no seu programa eleitoral o “reforço do relacionamento com a Diocese”, tem aqui uma óptima oportunidade para o colocar em prática. Pés ao caminho, que se faz tarde, e, pelo que se tem lido, é o próprio Arcebispo que reconhece não ter ouvido propostas alternativas, nomeadamente por parte do município.

Outra coisa, bem diferente, é Ricardo Rio não querer intervir para alterar o projecto por, efectivamente, concordar com as ideias nele expostas, entre as quais figuram um hotel e espaços comerciais. E, se assim for, que o diga, mas que reconheça que isso é absolutamente contrário ao seu discurso de valorização dos equipamentos culturais da cidade. Aliás, há bem pouco tempo, na apresentação dos vários projectos no âmbito do concurso de ideias para a regeneração da Avenida da Liberdade, foi difundida a ideia de criação de um quarteirão cultural, no qual se incluía o cinema S. Geraldo como equipamento estratégico e, pelo que li e ouvi, a ideia terá agradado a Ricardo Rio.

Importa também perceber se Ricardo Rio acha que Braga já tem actividade cultural que chegue e equipamentos culturais suficientes. É que, se assim for, estamos ainda pior do que imaginava. Ou se, pelo contrário, tem ainda dúvidas, pode aproveitar a ocasião para se afirmar como um presidente que sabe ouvir o associativismo e as vozes da cidadania, considerando que são já vários os apelos para que a câmara intervenha no sentido de se suspender o projecto, impedindo a demolição do antigo cinema, discutindo novas ideias e eventuais soluções. É que a participação dos cidadãos na política é isso mesmo: serem ouvidos quando têm algo a dizer e serem tidos em conta. A participação não se pode resumir a um mero exercício administrativo plasmado num qualquer orçamento participativo, por muito virtuoso que este até possa ser.

Neste momento é inadiável a movimentação de todos em defesa do Cinema S. Geraldo como equipamento cultural, para que, desde já, se consiga sensibilizar a Diocese de Braga para a suspensão do projecto e o município para o seu papel interventivo na definição do modelo de cidade que queremos. Depois, virão as propostas, no respeito pelos interesses de todas as partes envolvidas, mas, acima de tudo, no garante máximo de um projecto cultural que tanta falta faz a Braga.

Carlos Almeida

Teatro da Vista Alegre

Diria que por coincidência, ou por grande parte de nós andar mais desperto para esta questão, tropeço sistematicamente em notícias que mencionam a reabilitação/recuperação/devolução de pequenos teatros/cinemas à população como elementos caracterizadores das localidades onde se inserem e fortemente formadores das mesmas – recuperados nas suas mais essenciais funções: promover a cultura!

Já foi referido o Cine Doré em Madrid, o Metro Kinokulturhaus em Viena. E agora, bem mais perto, o Teatro da Vista Alegre, criado há quase 200 anos (1826) para entretenimento e valorização cultural dos trabalhadores da Fábrica da Vista Alegre. As obras de requalificação tiveram como premissa manter a essência da sala, e não falamos só da arquitectura, falamos acima de tudo de “uma sala de espectáculos que vive de e para a comunidade local”.

Repare-se na grandiosidade da intenção! E façamos o paralelo para Braga… o que interessa afinal à C. M. de Braga? Uma preservação de fachada como a grande maioria das intervenções que se observam por todo o centro histórico? Não interessam processos construtivos antigos, não interessam tipologias significativas de modos de viver de outros tempos… relembro o palacete Matos Graça na Senhora–a–Branca, completamente destruído.

Segundo a notícia do Público, a obra de recuperação do Teatro da Vista Alegre, custou “cerca de 770 mil euros (com 540 mil euros de apoio comunitário) e foi assumida pela câmara municipal de Ílhavo, entidade que passará, agora, a ficar responsável pela gestão do espaço – ao abrigo de um contrato de comodato assinado com a Visabeira, actual detentora da empresa Vista Alegre. «Queremos que seja mais uma sala de espectáculos do município, funcionando em rede com os actuais centros culturais de Ílhavo e da Gafanha da Nazaré, e o recentemente inaugurado centro sócio-cultural da Costa Nova», destacou ao PÚBLICO Fernando Caçoilo, presidente da autarquia.”

Parece-me então que a questão do dinheiro (5 Milhões!!!!) que a Câmara insiste em colocar como o principal obstáculo à devolução do S. Geraldo à comunidade, não se coloca se houver candidatura a fundos comunitários e real vontade por parte do executivo!

Ana Barbosa, arquiteta

Metro Kino Kultur Haus

Em pleno centro histórico [de Viena] foi recuperado este antigo cinema já neste século mas não se julgue que o que nasce ali, em plena cercania do lucro suposto pelo turismo frenético que uma loja ou o que, por exemplo, se propõe para o S. Geraldo em Braga acontece por ali; os protagonistas são os filmes que alimentam cabeças de locais e não locais (foco de visita de estrangeiros, até) e onde reside um arquivo (um polo da Cinemateca?), exposições (nunca é demais) e onde há um bar de apoio – apenas e chega, em vez de mais um copia? com atraso e viável?! do mercado da ribeira. Minha filha, não vou poder levar-te a ver filmes onde o pai foi. Ou vou, espero!

Rui Macedo

Breve história – 1ª parte: Salão Recreativo

O Salão Recreativo Bracarense foi construído em 1917 por uma sociedade anónima. Destinava-se a espetáculos teatrais e cinematográficos. Em 1924 já estava a funcionar. A sala principal dispunha de plateia, frisas, galerias e, no 1º andar camarotes, com uma lotação total de 760 lugares.

SRB lotação

Uma vistoria de Março de 1933 entendeu, porém, que o Salão Recreativo já não apresentava condições de funcionamento. No auto lê-se: “as colunas de madeira que servem de apoio aos camarotes e telhado [encontram-se] sensivelmente deformadas, circunstância esta que deve atribuir-se não só às suas más constituições, por serem feitas de pinheiro com aproveitamento das pontas intercetadas por vários galhos, mas também por não possuírem as respetivas secções transversais, as dimensões necessárias, para lhes garantir as resistências precisas para as cargas que suportam. E assim se verificou a iminência de rotura de qualquer delas, o que não deixaria de ser de consequências muito funestas, se por ventura se desse numa ocasião de espetáculo”. As colunas que suportavam os camarotes foram reforçadas com vigas de ferro e na vistoria de Julho do mesmo ano o Salão Recreativo foi dado como em condições de funcionamento. Em 1935 foi construída uma cabine de projeção e enrolamento para cinema. Em 1940 realizou tanto “espetáculos teatrais como cinematográficos”.

1917 salão recreativo bracarense

1916-08-25 – A Comissão Executiva Municipal concede licença para a construção do edifício

1916 projeto arquivo municipaç
(o alçado original – fonte: Arquivo Municipal)

 

1927-05-01 – Anúncio da programação no jornal

1927 PROGRAMA SALÃO RECREATIVO 2012-07-18 11.09.35 SALAO RECREATIVO 2

1926-07-11 – filme Os Dois Garotos, com o famoso ator Gabriel Signoret

1926-07-11

1930-05-11 – Companhia de Revista Stichini-Santos

1930-05-11

1935 – construída uma cabine de projeção e enrolamento para cinema

1939-02-02 – o grupo dramático Amadores Bracarenses Reunidos requer que a revista local “Palheiras de Braga” seja vistoriada pela censura1939 carta

1939-05-25 – ofício do Governador Civil à PSP que chama atenção para  o rigoroso cumprimento do Decreto n.º 13564, de 6 de Maio de 1927: “enquanto durar a projeção dos filmes as senhoras são obrigadas a conservar a cabeça descoberta”; foi dado conhecimento ao Sr. José Costa, empresário do Theatro Circo e Salão Recreativo

1939-11-20 – O Inspetor dos Espetáculos comunica ao Governo Civil que todos os espetáculos teatrais e cinematográficos deverão terminar às 23h30 com meia hora de tolerância

1940-03-25 – A Delegação da Cruz Vermelha de Braga pede autorização para realizar alguns espetáculos teatrais

1940-11-30 – ofício do Governador Civil à direção da Sociedade Dramática Bracarense pedindo que remeta à comissão de censura dois exemplares impressos da peça “O Berço do Salvador”

1942-09-20 – com umas breves obras do Theatro Circo, o Salão Recreativo recebe toda a programação daquele teatro
1942-09-20 THEATRO EM OBRAS

A partir de 1948 foi apresentado o projeto de adaptação a cinema, dando lugar ao S. Geraldo inaugurado a 1 de Junho de 1950. Este manteve o palco e várias estruturas de apoio que lhe permitiram a realização de inúmeros espetáculos.

 

 

Um Espaço Cultural

Aproveitando os posts do Luís Tarroso Gomes, quero também dar a minha “achega” na questão do S. Geraldo e da sua eventual “recuperação”.

Ainda me lembro de ter frequentado este espaço e de ter ainda visto alguns filmes (se bem que poucos porque ainda era muito novo). Quando fechou não me importei muito – ainda era novinho e pouco sensível a questões desta natureza.

Nos últimos anos, de vez em quando, lembro-me do velho S. Geraldo – aquele sítio tão simpático e tão digno onde tantos bracarenses usufruíram de cinema e convívio durante tantos anos, e penso: “Isto é que valia a pena recuperar e fazer aqui renascer alguma da magia do passado”. Curiosamente, e ainda bem, há gente que volta a pensar nisso.

Infelizmente, a Câmara Municipal actual terá outros planos. E, na minha opinião, são planos muito pobres e com falta de visão a médio e longo prazo. Uma praça da alimentação? A sério?

Meus senhores, nem tudo é comércio, nem tudo pode ser convertido em espaço de restauração. A vida e alma de uma cidade não pode depender apenas de viabilidades económicas imediatas e de benefícios rápidos. Num local tão central e histórico, temos de investir num emblema histórico, num enriquecer de uma alma colectiva que temos de preservar. São valores que não têm expressão numérica imediata.

Como também foi sugerido pelo Pedro Alpoim: recupere-se a infraestrutura e o bar respeitando as linhas originais. Crie-se um festival de cinema anual e temático!

Adapte-se o espaço a novas realidades (estou aqui já a fazer uma concessão) como abrir a porta para se usar o auditório para eventos de vários tipos: cinema (claro, seria o ADN do espaço), música ao vivo, teatro (que bem precisa de alternativa ao Theatro Circo para os grupos e companhias amadoras) e até eventos mais avulsos, como sessões empresariais (mediante avaliação prévia e aluguer).

Não sou perito em viabilidades económicas, mas insisto: o lucro não é tudo. Há um valor imaterial que podemos recuperar – os bracarenses mas não só: todos os visitantes, sejam eles portugueses ou estrangeiros.

Alexandre Fernandes

Inúmeras possibilidades

O mítico edifício São Geraldo dispensa qualquer tipo de apresentação. Uma referência na cidade de Braga mesmo estando fechado há décadas. Pertence à Arquidiocese de Braga, que é a responsável pelo projecto de reabilitação, mas a intervenção proposta será executada em parceria com um conjunto de empresas. O arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, sublinha a intenção de manter “a cumplicidade com a cultura” na nova fase da vida do antigo cinema, mas os responsáveis pelo projecto entendem que seria inviável que o edifício depois de recuperado fosse sustentável apenas com uma função cultural, optando, por isso, por este projecto multifuncional.

Intenção de manter a cumplicidade com a Cultura…
É assim que a cultura hoje em dia é vista, um parente pobre que se não tiver a capacidade de ser auto-sustentável então não vale a pena. Mas que grande erro. Numa cidade inundada de restaurantes, lojas shoppings, pensar no São Geraldo para fazer mais do mesmo é destruir a história do São Geraldo e não compreender que é através do nosso passado que valorizamos o futuro. É a perigosa tentação comercial de concentrar tudo num mesmo espaço. Não quero discutir a proposta de arquitectura que deve ser salvaguardada, mas sim a função escolhida para o local. Um São Geraldo merece muito mais e não é por estar fechado há mais de 20 anos que qualquer programa serve.

Na minha óptica existem inúmeras possibilidades válidas para o São Geraldo necessárias para a desenvolvimento e crescimento da cidade e, todas elas passam pela forte aposta na oferta cultural; um Centro Cultural à semelhança de Guimarães, um Centro de Arte Contemporânea, uma Casa do Cinema à semelhança do que está a ser feito no Cinema Batalha no Porto, um Museu da Cidade, um Museu do Design, etc.
São apenas algumas opções credíveis para o progresso de Braga ou então ficamos pelo “cheiro a fritos”…

Pedro Vinagreiro, arquiteto

públicos

Obviamente que prefiro o S. Geraldo como uma infraestrutura cultural. Mas neste momento apenas faço perguntas, pois seria necessário perceber de que forma a mesma infraestrutura cultural se enquadraria na cidade:

a) que tipo de equipamento cultural? para que áreas? sendo o GNR já ‘polivalente’, seria necessário mais um nesse âmbito? ou apostar em nichos culturais? só para cinema, ou como espaço de artes performativas… há público?

b) não havendo público, pode-se apostar na criação de público. isso demora tempo e custa dinheiro. há essa disponibilidade? há dinheiro? de onde? sendo que o edifício não é público, estará a arquidiciocese disposta a arriscar os seus fundos para algo ‘incerto’? talvez com subsidiação estatal seja mais fácil. Essa responsabilidade seria da CMB ou do MC?

c) imaginando que se apostaria num nicho, que me parece mais plausível, é possível conquistar público da região. porém, para conseguirmos trazer público, a programação teria de ser fortíssima – mais uma vez, há dinheiro para essa programação?

Como me parece que há vontade mas não há dinheiro, seria essencial, num primeiro momento, reabilitar o edifício. E de forma a garantir fundos, não ficaria ofendido se uma solução intermédia fosse encontrada: parcialmente tasco, parcialmente dedicado à cultura. Já emocionalmente, obviamente vi naquele espaço muitos filmes durante a minha infância – foi a primeira sala de cinema onde entrei. num mundo ideal, deveria voltar apenas a ser cinema.

Num mundo mais pragmático, acenda-se a discussão e gostaria que não se tomassem decisões precipitadas. contudo, o espaço tem dono – e não somos nós. E tenho de respeitar isso.

Ivan M. Saraiva

Livraria Minhota

Se o projecto de um novo espaço cultural, com diversas valências, avançar, como muitos de nós desejámos, poderia incluir uma LIVRARIA MINHOTA. Uma livraria onde se pudessem encontrar, reunidas num só espaço, as centenas de títulos editados pelas câmaras municipais e seus serviços culturais (bibliotecas, arquivos, museus), associações, instituições de diversa ordem, edição de autor, edição marginal local, revistas (Rev. de Guimarães, Bracara Augusta, Mínia, Forum, Bol. Cultural V.N. Famalicão, Cadernos Vianenses, Estudos Regionais, Bol. Cultural Póvoa de Varzim, etc, etc). São publicações, a maior dela de grande qualidade e interesse, mas sem distribuição ou comercialização, que só se podem encontrar nas próprias localidades que as editam, e às vezes com grande dificuldade. Acho que seria um bom “nicho de mercado” com valor cultural acrescido.

Henrique Barreto Nunes, bibliotecário

“Travessuras de Júlia” em Junho de 1950

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Este era o filme que o Cinema São Geraldo tinha em exibição no dia 25 de junho de 1950. Apesar da sugestão algo picante do termo “travessuras”, o filme nada tinha de atrevido até porque, como avisava o texto lateral, neste cinema não se exibiam filmes condenáveis. Esta comédia de 1948, realizada por Jack Conway, com Greer Garson e Walter Pidgeon como protagonistas, tem a curiosidade de trazer o primeiro beijo em tela de Elizabeth Taylor.

Elenco: Greer Garson – Walter Pidgeon – Peter Lawford – Elizabeth Taylor – Cesar Romero – Lucile Watson – Nigel Bruce – Mary Boland – Reginald Owen – Henry Stephenson – Aubrey Mather – Ian Wolfe – Fritz Feld – Phyllis Morris – Veda Ann Borg

Breve história – 2ª parte: o S. Geraldo

 

O Salão Recreativo Bracarense foi adaptado a cinema a partir de 1948. No projeto inicial ainda não tinha o nome de S. Geraldo, mantendo a designação original de Salão Recreativo Bracarense. Na véspera, o Correio do Minho trazia o anúncio publicitário à inauguração do cinema, em 31 de Maio de 1950:

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No dia 2 de junho de 1950 o Correio do Minho noticiava a inauguração do Cinema São Geraldo. A notícia fazia uma descrição completa da nova sala de cinema destacando as suas linhas modernas, a dimensão e conforto e a qualidade do som e da luz. O S. Geraldo passa a ser explorado até 1991 pela empresa Victoria Cine, Lda.

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O primeiro filme exibido pelo S. Geraldo a 1 de Junho de 1950 foi Cruzeiro de Férias/Luxury Liner (de 1948), realizado por Richard Whorf com argumento de Richard Connell, Karl Kamb e Gladys Lehman.

 

Das centenas de filmes e eventos culturais, escolhemos alguns abaixo. À medida que vamos compilando informação dispersa sobre o cinema, vamos acrescentando aqui os mais relevantes.

Em 1963 é exibido o filme “Spartacus” de Stanley Kubrick.

CINEMA S. GERALDO, Spartacus (2)

Em 1964 é reexibido o filme “O Gatopardo” de Luchino Visconti.

CINEMA S. GERALDO, O Leopardo

Em 1965 é exibido com grande sucesso o filme “4 Cabeleiras do Após Calypso” dos “famosíssimos Beatles”.

1965-10-21 beatles

 

Em 1972 o CA atua grande sala principal do S. Geraldo integrado numa récita com José Sarmento, José Tinoco Marques e Valdemar Ferreira

1972-02 RECITA DO CENTRO ACADÉMICO DE BRAGA NO S. GERALDO SG Com Biba Sarmento, José Tinoco Marques e Valdemar Ferreira.

Em 1978 é a apresentada a Grande Noite Concurso de Fado. Na fotografia vemos Artur Caldeira, Manuel Lima e filho, Francisco Seabra (Guitarra Portuguesa) e Rafael de Carvalho (Viola):

1978 Grande NoiteConcurso de Fado - Artur Caldeira, Manuel Lima e filho, Francisco Seabra (Guitarra Portuguesa) e Rafael de Carvalho (Viola) vtratada

Em 1984-85 é construído o edifício do Pé Alado que veio ocupar a rua particular que servia o S. Geraldo e eliminar os camarins e arrumos de apoio ao palco (lado Sul).

Em 31 de Dezembro de 1990 é exibido o último filme pela empresa Victoria Cine, Lda – Rocky V.

Em 1994-95 o cinema volta a funcionar temporariamente após o incêndio dos cinemas Avenida. Um dos últimos filmes exibidos é Pulp Fiction. Desde aí esta sala de espetáculos teve uma utilização muito esporádica.