Pela dinamização cultural em Braga

O Cinema S. Geraldo guarda uma parte da memória de Braga, tem as condições para ser o equipamento com funções culturais que a cidade tanto precisa e para ser palco de muitos momentos em comum dos bracarenses. Pela dinamização cultural em Braga e pelo nosso direito ao espaço da cidade, não deixemos que se transforme o S. Geraldo em mais um espaço sem interesse para os bracarenses. Quantas mais vozes se juntarem por estes direitos, mais perto estaremos de alcançar uma cidade de Braga apropriada às necessidades dos seus habitantes. ‪#‎sgeradocultural‬ avança e já é Público

Inês Gusman

Grandes Opções do Plano da CMB 2016

“Extrato das Grandes Opções do Plano da Câmara de Braga para 2016: “Acrescendo aos projetos de natureza infraestrutural que serão concretizados em 2016, e que não se cingem ao investimento direto municipal (ainda que com eventual apoiode instrumentos financeiros de estímulo à regeneração urbana disponibilizados por este Município, como será o caso do Cinema S. Geraldo, o Edifício do Largo do Paço, o Hospital de S. Marcos, entre outros)…”. Leram bem, Cinema S. Geraldo, não mercado gourmet…
‪#‎sgeraldocultural‬  ” Paula Nogueira12734194_10206748579966387_584089351285143902_n

8 de MARÇO

Arquitectos apelam à suspensão do processo de edifício S. Geraldo

“Como arquitectos, pode ler-se ainda na carta aberta, identificam “a profunda descaracterização que o edifício sofreu ao longo dos anos”, reconhecendo, no entanto, “a importância vital deste espaço como um espaço aberto à comunidade, dedicado integralmente à educação e promoção cultural””

8 de MARÇO

Salvar o cinema S. Geraldo – Carlos Almeida

“Neste momento é inadiável a movimentação de todos em defesa do Cinema S. Geraldo como equipamento cultural, para que, desde já, se consiga sensibilizar a Diocese de Braga para a suspensão do projecto e o município para o seu papel interventivo na definição do modelo de cidade que queremos.
Depois, virão as propostas, no respeito pelos interesses de todas as partes envolvidas, mas, acima de tudo, no garante máximo de um projecto cultural que tanta falta faz a Braga.”

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7 de MARÇO

Bracarenses tentam travar hotel e lojas para antigo cinema S. Geraldo

“Diferentes grupos de bracarenses querem que o antigo cinema S. Geraldo, fechado há cerca de 20 anos, mantenha uma função cultural. Rejeitam o projecto recentemente apresentado que prevê a sua transformação num hotel e numa área comercial. ”
http://www.publico.pt/local/noticia/bracarenses-tentam-travar-hotel-e-lojas-para-antigo-cinema-s-geraldo-1725399

8 de FEVEREIRO

O recém-anunciado projeto para o velho cinema S. Geraldo é uma boa notícia? Não propriamente.
O recém-anunciado projeto para o velho cinema S. Geraldo é uma boa notícia? Não propriamente. O que foi anunciado faz sumir de vez qualquer ideia de recuperar a enorme sala para fins culturais. Independentemente da qualidade arquitetónica do projeto apresentado, apenas se manterá vagamente uma memória do espaço antigo. Na prática, será uma praça de alimentação com um hotel. Chamar-lhe mercado cultural é, por isso, uma ilusão. Seria o mesmo que transformar o relvado e a pista do estádio 1º de Maio num parque de estacionamento e anunciar que a cidade ganhava um equipamento desportivo.

Não confundamos, claro, o interesse da cidade com o do proprietário. O dono – que no caso é a arquidiocese – não conseguiu manter o cinema a funcionar comercialmente e tem todo o direito de para lá imaginar os projetos que quiser e anunciá-los publicamente. Diferente é saber se a cidade acha esses projetos relevantes e se não tem outros que se lhes sobreponham.

Desde 1896 que se veem imagens em movimento em Braga. O Cinema São Geraldo foi, porém, a primeira sala bracarense especificamente destinada a esse fim. A estreia em 1950, com o filme “Cruzeiro de Férias” (Luxury Liner), terá impressionado pelo luxo, pela nitidez da imagem e pela qualidade do som. Dispunha de tribuna e plateia com cerca 850 lugares, funcionou até aos anos 90 e miraculosamente ainda lá está hoje, decadente mas pouco alterado.

E também convém não exagerar: o São Geraldo não é um edifício monumental e é produto da cidade enfadonha que Braga era há 70 anos. A sua relevância hoje reside no potencial enquanto equipamento já construído, num ambiente dos anos 50 que se perpetuou e na localização estratégica junto ao Theatro Circo. E nunca é demais relembrar o gravíssimo erro de restauro do Theatro Circo: construiu-se uma dispendiosa segunda sala subterrânea que, todavia, por razões estruturais jamais poderá funcionar em simultâneo com a sala principal (num país decente, quem assim desperdiçou dinheiros públicos, teria de se explicar muito, muito bem).

Numa altura em que há verba e instrumentos disponíveis para a regeneração urbana, o São Geraldo podia ser, pelo menos, essa segunda sala simultânea do Theatro com pouco investimento. Isto se não se equacionassem projetos mais ambiciosos como um centro cultural público (como há um mês defendia o Fernando Coelho no Entre Aspas), municipal ou da freguesia, ou até privado (seguindo o exemplo do São Mamede em Guimarães lembrado em tempos pelo Rui Ferreira). Ou uma intervenção mais arrojada devolvendo-nos o equilibrado largo setecentista através da reposição da imponente fachada do Convento dos Remédios.

Mais uma vez, a Câmara mostra-se uma entidade amorfa, não sendo capaz de imaginar nem de discutir os inúmeros cenários com a cidade e desperdiçando o potencial daquele espaço. Para que serviu afinal o concurso de ideias? E para que vai servir o Conselho Estratégico para a Regeneração? Para entreter?

O Cinema São Geraldo podia ser muitas coisas – e esta é das piores para Braga. Um Executivo preocupado, se nada conseguisse fazer para impedir o desaparecimento de um espaço cultural, ao menos mostrava-se descontente. Por isso, é lamentável ver a Câmara a dar a bênção a mais uma destruição definitiva na cidade. Ou como dizia há dias Ricardo Araújo Pereira, imitando uma análise liminar de Tino de Rans: “eu tinha bregonha!”

‪#‎sgeraldocultural‬

FOTO: imagem da sala principal do São Geraldo em 2005 (editada para sobrepor o fotograma na tela)
TRAILER: regressar ao São Geraldo de 1950 a bordo do Luxury Linerwww.youtube.com/watch?v=jzKVwA9VjdI

Luís Tarroso

O direito à cultura em Braga

A construção da cidade é mais do que um processo de ocupação do espaço físico, é também o reflexo de um exercício coletivo dos seus habitantes e uma expressão de cidadania. É o nosso campo de relações, como dizia Lefebvre, por isso deve guardar as nossas memórias e os nossos relatos comuns. É não só por isto, mas também, que se justifica o investimento na cultura, que nos permite usufruir de locais de encontro; é não só por isto, mas também, que tanto as autarquias como os cidadãos devem proteger os espaços que guardam a história das nossas cidades; é não só por isto, mas também, que não podemos deixar o Cinema de São Geraldo perder a sua função primordial de local ao serviço da cultura. Em Braga habituamo-nos a assistir a renovações físicas e funcionais de edifícios, ouvindo sempre como justificação a adaptação dos mesmos às “novas necessidades”. Hoje, a necessidade da nossa cidade é, mais do que tudo, tornar acessível aos seus habitantes o seu património simbólico.

No diálogo que tem gerado a reabilitação do São Geraldo, uma ideia tem dominado: em Braga, os projetos culturais são avaliados de acordo com as despesas imediatas que geram, rejeitando quaisquer argumentos que visam apostas na cultura que não tenham retorno imediato em euros. É importante dizer que esta é uma postura contrária ao que se tem assistido em várias cidades europeias, onde os investimentos na cultura têm aumentado, não apenas por motivos sociais como também económicos. A cultura, tal como outros setores convencionais, tem capacidade de gerar riqueza e emprego. O setor cultural tem um forte peso na economia de várias cidades, em vários locais do planeta, sejam elas de pequena ou grande dimensão.

O montante canalizado para a cultura é assim um importante indicador para avaliarmos a dimensão das apostas autárquicas neste domínio. Assim, a análise dos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística permite-nos encontrar claras diferenças na importância que a cultura tem para algumas cidades da Região Norte. Dividindo as despesas efetuadas pelas câmaras municipais em cultura e criatividade (bibliotecas e arquivos, património cultural, livros e publicações, artes visuais, artes de espetáculo, audiovisual e multimédia, publicidade, artesanato e arquitetura) pelo número de habitantes de cada município, podemos obter os dados que estão no seguinte gráfico. Apesar de ser espetável que o Porto – a segunda maior cidade do país – e Guimarães – Capital Europeia da Cultura em 2012 – apresentem um investimento cultural maior do que o de Braga, a diferença é, na realidade, abismal. Em 2014, as despesas de Guimarães chegaram aos 40€ por habitante, o Porto passou dos 37€, Famalicão registou 25€ e Barcelos ultrapassou os 13 €. Já Braga, uma das maiores cidades de Portugal, ficou abaixo dos 6€.

Às evidências destes dados junta-se uma clara falta de quantidade e diversidade da oferta cultural em Braga durante a maior parte do ano. É verdade que a oferta cultural na cidade tem aumentado, ainda que timidamente, devido à reabertura do Theatro Circo, ao funcionamento do GNRation, e a outras iniciativas pontuais, que contrastam com uma época anterior em que a cultura em Braga passava quase exclusivamente pelas salas de cinema das grandes superfícies comerciais. Não parecem no entanto estar esgotadas as possibilidades de investir mais na cultura em Braga. De facto, investe-se pouco comparando com cidades próximas, e notoriamente a oferta cultural existente é, no mínimo, deficitária.

Uma solução para o edifício do São Geraldo não pode passar pela criação de mais um espaço meramente comercial, mas sim pela criação de um local de partilha da memória e do património comum dos Bracarenses. Em Braga, estamos todos cansados de soluções sem alternativa, da proliferação de locais vedados ao usufruto da nossa cidade, da importação de modelos pré-fabricados e da privação do nosso direito à cidade e à sua cultura. Ainda que o São Geraldo tenha saído dos hábitos culturais da cidade há muitos anos, é parte da nossa história e guarda uma enorme diversidade de relatos passados. O São Geraldo reúne hoje as condições necessárias para ser palco de muitos mais momentos futuros da cidade, isto se mantiver espaço para receber os seus cidadãos, continuando a cumprir funções de cariz cultural. Em Braga estamos todos cansados de assistir à construção de uma não-cidade, sem espaço para a nossa identidade e memória(s).

Inês Gusmán

Uma aposta no Cinema – Santiago de Compostela

O centro da cidade galega de Santiago de Compostela perdeu a sua última sala de cinema quando, em 2013, a sala do Valle-Inclán fechou as portas por alegada falta de viabilidade financeira do negócio. Foram várias as vozes que se levantaram para reclamar o regresso do cinema ao centro da cidade, pois apesar de existirem outros espaços com oferta pontual de filmes, faltava um local com exibição sistemática, fora da grande superfície comercial da cidade – As Cancelas. É neste contexto que um grupo de quatro pessoas decide levar adiante a vontade da comunidade, e transformá-la num projeto cultural.

Criaram no ano de 2014 uma cooperativa, com a proposta de construir um cinema no centro da cidade, ocupando uma parte do antigo Cinema O Capitol. O projeto foi financiado por donativos pessoais de habitantes de Santiago de Compostela e por fundos europeus FEDER. Em março de 2015, o NUMAX abriu as suas portas num local que conta com uma sala de cinema, uma livraria e um estúdio de desenho gráfico e produção áudio-visual – com o objetivo de que a “integração e a cooperação destas três áreas criasse um local de encontro e intercâmbio para a cidadania”.  Hoje em dia o Numax é um local de habitual encontro dos cidadãos de Compostela, com uma programação de filmes alternativa aos centros comerciais. Conta com 4 sessões diárias dinâmicas com uma capacidade de atração assinaláveis. Em entrevista ao El Correo Galego, Carlos Hidalgo, um dos fundadores do Numax, disse: “decidimo-nos juntar para trabalhar num projeto comum e oferecer à sociedade uma sala de cinema no centro da cidade, algo que nós e muitos habitantes sentíamos falta”.

Em Santiago de Compostela, uma cidade com pouco mais de 95 mil habitantes, proliferam os locais cuja função é o convívio cidadão, onde se respira cultura própria e onde a fusão entre a cultura galega e a de outras partes do mundo é visível. Em Compostela, uma nova sala de cinema foi possível, não graças a cálculos sobre lucros futuros, mas sim graças a uma reivindicação cidadã do direito a ter locais de convívio e de usufruto cultural.

Para saber mais sobre este projeto:
“O centro de Santiago contará cunha sala de cine en versión orixinal”
NUMAX

Inês Gusman

4 de Março

Arcebispo de Braga afirma que a autarquia bracarense nunca realizou esforços no sentido de estabelecer um diálogo sobre o futuro do S. Geraldo

“Após uma reunião entre o CeM – Cidadania em Movimento e a Arquidiciose de Braga, a deputada municipal eleita pelo CeM mostrou-se muito surpreendida com estas declarações, pois segundo a própria “contrariam aquilo que o presidente da câmara tem vindo a dizer nos últimos tempos”.

“O Arcebispo de Braga disse-nos que não houve sequer uma tentativa de diálogo para discutir uma possivel solução para o S. Geraldo. Não foi sugerida nenhuma solução, nenhuma proposta por parte do executivo de Ricardo Rio”, afirmou Paula Nogueira.” RUM
Para ler notícia completa

14 de FEVEREIRO

Cidadania em Movimento defende em Assembleia Municipal a aquisição do S Geraldo pelo Município

“A intervenção que está prevista para o Cinema S. Geraldo – para o qual está previsto um hotel e uma zona de restauração gourmet – foi outro dos assuntos levados à Assembleia Municipal de Braga pela Cidadania em Movimento, considerando-a como “uma morte de um equipamento cultural que faz parte da memória colectiva” e defendendo a sua aquisição pelo município.

Mas para o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, essa aquisição seria impossível, justificando que só o terreno está avaliado em cinco milhões de euros, apontando ainda que o antigo edifício, do qual só já existem ruínas, nada tem de património importante que urja preservar.

“O valor do espaço que foi apresentado é um facto e eu não faço especulações com números, até porque nestas matérias temos que nos cingir a questões técnicas e as avaliações que fizemos, inclusivamente para o edifício ao lado – ora avaliado em 1,5 milhões de euros – coincidiam de forma bastante próxima com os valores que apresentados pelos promotores”, referiu o autarca bracarense, acrescentando que “as avaliações não são feitas com base em suposições, mas sim com base em critérios objectivos. E foi com base nesses critérios que nos foi apresentada esta proposta”. ”
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3 de FEVEREIRO

Primeiro cinema de Braga, fechado há 20 anos, dá lugar a uma área comercial
“O eixo central do projecto de reabilitação do edifício do São Geraldo consiste na criação de um mercado urbano no interior do antigo cinema, cuja área central será destinada à restauração. Nessa praça coberta haverá lugar para mais de 20 restaurantes, ao jeito de outros mercados gastronómicos que existem nas grandes cidades, com uma oferta de cozinha internacional e gastronomia tradicional portuguesa. Nesta área, que será explorada por um investidor particular, haverá ainda lugar para algumas lojas de artesanato ou de moda.” Público
https://www.publico.pt/local/noticia/vinte-anos-depois-o-antigo-cinema-de-braga-vai-reabrir-com-lojas-e-poucos-lugares-1722759

6 de JANEIRO

Concurso de Ideias Para a Regeneração Urbana da Avenida da Liberdade

No Concurso de Ideias sobre a Av. da Liberdade (e envolvente) pedia-se expressamente aos arquitetos concorrentes que se pronunciassem sobre o Cinema S. Geraldo. Estavam em causa 3 prémios (12.500€, 5.000€ e 2.500€). Como se vê na imagem-resumo, os concorrentes responderam ao que lhes foi pedido pela Câmara. Em todas as propostas – incluindo as dos 3 premiados! – os arquitetos previram que o S. Geraldo manteria sempre um programa estritamente cultural.
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